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sábado, 22 de fevereiro de 2014

iPhone: comparando preços em 2014.

Agora, com loja no Brasil, applemaníacos não podem reclamar da falta de produtos, mas podem reclamar do preço.

Uma rápida comparação de preços do iPhone 5s em alguns países, já com a cotação em R$:

Brasil R$ 2.799,00

Estados Unidos R$ 1.548,00

Inglaterra R$ 2.196,00

México R$ 1.908,00


Japão R$ 1.680,00

E muita alegria para o povo brasileiro e a nossa carga tributária de "apenas" 36,3% do PIB.    

domingo, 24 de novembro de 2013

Pioram as contas externas.

Editorial do ESTADÃO e o alerta sobre a piora nas contas externas.

Com um buraco de US$ 7,13 bilhões na conta corrente de outubro, resultado pior que o previsto pelo Banco Central (BC), as contas externas continuaram em deterioração, refletindo principalmente o mau desempenho do comércio exterior de bens e serviços. O déficit em transações correntes chegou a US$ 67,55 bilhões no ano e a US$ 82,21 bilhões em 12 meses. Só uma forte recuperação em novembro e dezembro levará o resultado final de 2013 ao nível previsto pelo Banco Central - um saldo negativo de US$ 75 bilhões. Esses dados, no entanto, são apenas uma parte das más notícias sobre o balanço de pagamentos. No mês passado, mais uma vez o investimento estrangeiro direto, US$ 5,36 bilhões, foi insuficiente para cobrir o buraco da conta corrente. A compensação foi completada por outros tipos de recursos, em geral menos seguros e mais instáveis que os capitais destinados diretamente às atividades produtivas. Em 12 meses o investimento direto alcançou apenas US$ 59,09 bilhões, 2,64% do Produto Interno Bruto (PIB) estimado, enquanto o déficit acumulado chegou a 3,67%, nível inédito nos últimos onze anos.

Sem ser desastroso, um déficit dessa proporção já vale pelo menos como um sinal de alerta. O País terá como compensar resultados negativos ainda por algum tempo, mas será preciso impedir a piora do quadro nos próximos anos. Isso dependerá principalmente da evolução do comércio exterior. O déficit em conta corrente veio acima do esperado, disse o chefe do Departamento Econômico do BC, Túlio Maciel. De janeiro a outubro, houve uma piora de US$ 27,98 bilhões no resultado, na comparação com o número de igual período de 2012. A piora da balança comercial - de um superávit de US$ 17,36 bilhões para um déficit de US$ 1,83 bilhão - explica a maior parte da diferença, de US$ 19,19 bilhões. O resto dependeu das transações com serviços e rendas.

Maciel chamou a atenção para o descompasso entre importações e exportações de mercadorias. Enquanto o valor gasto com produtos estrangeiros aumentou 9,35%, a receita obtida com as vendas externas diminuiu 0,93% entre 2012 e 2013. Sem avançar muito na discussão das causas, Maciel apontou, pelo menos, o aspecto mais preocupante das transações com o exterior. Para os mais otimistas, a depreciação do real e a esperada reativação do comércio internacional poderão resolver boa parte do problema, a partir do próximo ano. Examinado com um pouco mais de realismo, no entanto, o quadro parece bem mais complicado.

Empresários e alguns economistas defenderam durante anos a desvalorização do real como principal medida para fortalecer o comércio exterior, como se o câmbio fosse o maior entrave à competitividade brasileira. Com a mesma simplicidade, passou-se a dar muita importância à crise internacional e ao enfraquecimento dos mercados. A soma dos dois problemas - desajuste cambial e comércio global mais ou menos estagnado - bastaria para explicar o pobre desempenho brasileiro.

Mas nem todos os países foram tão mal quanto o Brasil, nos últimos anos, em sua atividade comercial. Além disso, o real se depreciou sensivelmente desde o ano passado. Em tese, isso deveria baratear as exportações brasileiras e encarecer as importações, mas o desequilíbrio se acentuou, em vez de diminuir. O problema da competitividade é muito mais amplo, como já reconheceram muitos analistas, incluídos vários estrangeiros. Já se tornou lugar-comum, em relatórios de entidades multilaterais, a referência às limitações de oferta da economia brasileira - problemas como a logística deficiente, o encarecimento da mão de obra com aumentos salariais bem maiores que os ganhos de produtividade e, como há muito se sabe, a tributação incompatível com uma economia exposta à concorrência.


O relatório do BC sobre as contas externas confirma o agravamento de problemas bem conhecidos. Os estímulos ao consumo tornaram mais evidentes as deficiências da produção, pressionando os preços internos e forçando maior gasto com bens importados. Mas o governo, diante do desafio, apenas promete mais do mesmo. 

sexta-feira, 2 de março de 2012

Livre comércio 'ad nauseam'.


Jagdish Bhagwati é professor de economia e direito na Columbia University e membro associado em questões de economia internacional do Conselho de Relações Exteriores. É autor de "In Defense of Globalization" (em defesa da globalização, em inglês). Copyright: Project Syndicate, 2012. Este artigo foi publicado no VALOR ECONÔMICO de hoje.

Tanto foi escrito, por tantas pessoas, contra as confusas ideias que devastaram o bom senso na política de comércio exterior dos Estados Unidos que é de se imaginar se ainda resta algo a dizer. Vale a pena lembrar, portanto, o que Pierre-Joseph Proudhon disse ao intelectual russo Alexander Herzen, segundo se noticiou: "E você acha que uma vez dito algo, isso é suficiente? [...] É preciso inculcá-lo nas pessoas, precisa ser repetido de novo e de novo."

O que precisamos agora é uma cartilha sobre as principais concepções equivocadas, na esperança de que ao contrário da Lei de Gresham - segundo a qual a má moeda tende a expulsar a boa moeda do mercado - as ciências econômicas boas expulsem as más. Quatro pontos, em particular, precisam ser corrigidos.

A primeira ideia equivocada é a de que as exportações criam empregos, enquanto as importações, não - uma falácia cuja origem Harry Johnson, um grande economista especializado em comércio, atribuiu ao mercantilismo e que os EUA ressuscitaram. Na verdade, em um mundo em que peças e componentes chegam de todos os lugares, interferir com as importações coloca em risco a competitividade. O sucesso das empresas de entregas, por exemplo, depende das importações, que precisam ser trazidas das fronteiras para o interior do território, assim como das exportações.

Fraudes financeiras e uso de informações privilegiadas tornam fácil aceitar que o setor financeiro precisa ser tributado. A visão quase marxista de que nossa moralidade decorre de nossa posição econômica negligencia o papel moralizador da família, religião, cultura e arte.

O segundo ponto é o fato de o credo "comércio, em vez de ajuda" ter dado lugar à crença equivocada de que o comércio é menos importante do que o auxílio internacional. O eleitorado trabalhista, sempre temeroso da concorrência das importações, minou a política de comércio exterior. Também desviou a política de auxílio para diretrizes que priorizam áreas em que os retornos pelos esforços dos EUA são relativamente minúsculos.

O Departamento de Estado dos EUA, portanto, deixou de ser defensor da liberalização multilateral do comércio, apesar de décadas de ganhos maciços decorrentes da remoção de obstáculos comerciais. Em vez disso, seu braço de programas de auxílio financeiro, a Agência para o Desenvolvimento Internacional (Usaid), retrocedeu e passou a dedicar-se a projetos de baixo rendimento, concebidos como experimentos aleatórios. Essa técnica impressiona Bill Gates e o novo administrador da Usaid, Rajiv Shah, tem experiência na área. No entanto, mesmo se todos esses programas forem bem-sucedidos, seus benefícios seriam uma pequena fração dos ganhos documentados que foram acumulados com o comércio e outras políticas na esfera macroeconômica, nas quais os EUA perderam o interesse.

Terceiro, muitos acreditam que a indústria merece apoio preferencial. Esse praticamente é o mantra do governo do presidente dos EUA, Barack Obama, o que lhe custou o apoio de muitas pessoas, seja da área econômica ou não, como Christina Romer, que presidiu seu Conselho de Assessores Econômicos. Em recente, comentário na imprensa, ela refutou praticamente todos os argumentos apresentados por lobistas do setor industrial em busca de tratamento especial.

Podemos somar aos críticos o prêmio Nobel de economia Robert Solow, defensor ferrenho do Partido Democrata de Obama. Ele concorda que há atividades que rendem maiores retornos sociais do que privados. O problema, ressalta, é que nem ele nem qualquer outra pessoa pode chegar a saber quais são essas atividades, enquanto os lobistas dizem que as conhecem com precisão.

Os defensores da política da "indústria em primeiro lugar" argumentam que "grupos" de empresas são mais produtivos do que empresas individualmente. Mas são difíceis de encontrar os efeitos resultantes de grandes agrupamentos. Os economistas Glenn Ellison e Edward Glaeser descobriram que os agrupamentos são apenas marginalmente melhores do que quando as empresas são distribuídas aleatoriamente. Além disso, é difícil não aceitar que estamos cada vez mais vendo a "morte da distância", para usar as famosas palavras da economista Frances Cairncross.

Por fim, o setor financeiro passou a ser visto como a ruína da moralidade. Em um mundo de fraudes financeiras e negociações com informações privilegiadas, é fácil acreditar nisso e aceitar que o setor financeiro precisa ser tributado. A moralidade, no entanto, está em todos os setores. Há muita gente honesta, assim como desonesta, em todas as áreas da vida. A visão quase marxista de que nossa moralidade decorre de nossa posição econômica negligencia o papel moralizador da família, religião, cultura e arte.

Tendo em vista essas ideias equivocadas, o protecionismo ressurgiu como um terrível inimigo. Em 1999, quando o encontro ministerial da Organização Mundial do Comércio (OMC) viu-se em meio a ameaças de bombas e caos, perguntei ao então diretor-geral da instituição, Mike Moore, se não deveríamos estar preparados para morrer pela grande causa do livre comércio. Eu deveria ter dito: pelo menos deveríamos estar preparados a viver por ela.

Entre velhas e novas confusões e a certeza de que a demolição de cada má ideia apenas permite que outras ganhem raízes e cresçam em seu lugar, a tarefa do defensor do livre comércio nunca termina. 

A importância de debater o PIB nas eleições 2022.

Desde o início deste 2022 percebemos um ano complicado tanto na área econômica como na política. Temos um ano com eleições para presidente, ...